O mito da Unidade Linguística no Brasil pode ter origem no próprio processo de colonização, já que o território era disputado pelos portugueses com outras potências européias: França, Holanda e Espanha, principalmente. Após a Independência o Brasil conseguiu manter coeso o território político, ao contrário da fragmentação do Império na América Espanhola, que se dividiu em vários países. Isso foi mantido, por vezes, com a força das armas, como nos mostra a biografia de Duque de Caxias durante o Império Brasileiro: Balaiada no Maranhão, Guerra dos Farrapos etc.
É evidente que no Brasil não se fala apenas uma única língua (o português). No imenso território do “país-continente” podemos atestar isso através de inúmeros fatos, como a presença maciça de imigrantes em tempos relativamente recentes. Nesse sentido, clássico é o exemplo de pequenas comunidades semi-isoladas no interior de SC e RS, que orgulham-se de conservar certas tradições de seus países de origem, como a Alemanha e a Itália. Também, especialmente mais ao Norte, encontramos comunidades e nações indígenas que têm o direito garantindo de conservar como podem seu idioma e suas falas nativas.
Ainda hoje causa espanto para alguns a decisão do Governo Vargas, durante a II Guerra Mundial, de proibir que se falasse e ensinasse o alemão nas escolas de algumas destas cidades no interior de SC e RS. Isto nos leva a crer que a unidade linguística é promulgada politicamente, a partir de um centro de irradiação de poder. O nhengatu e a língua geral paulista, mistura de língua guarani com gramática portuguesa (jesuítica) era a mais falada no Brasil até o Marquês de Pombal impôr o uso do português somente no século XVIII. Na prática a unidade linguística via de regra sempre encontra vários contra-exemplos e exceções. Mesmo o português brasileiro não é único, embora haja liames recorrentes, como na ação da mídia ou da Rede Globo, que cumprem um papel planificador ao propalar em seu sinal um número reduzido de variantes linguísticas, adotando um padrão e ignorando ou estereotipando as diferenças e variações regionais. Estas são notáveis: no litoral fala-se diferente do interior e cada estado mantém um “sotaque” próprio. Adotar uma das variantes como padrão único é considerado pelos sociolinguístas como um legado autoritário e centralizador, ou, como diz Marcos Bagno “A língua padrão é a língua do patrão”.
Criativo e bem elaborado esse trabalho!
ResponderExcluirFicou muito criativa a tua abordagem e bem elaborado.
ResponderExcluirParabéns pelo Blog gostei muito da tua abordagem.
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