Blog criado para a tarefa da disciplina de Português Instrumental, do curso Técnico Administração!
Andrea Braga e Jordana Assis (Polo SAP)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O mito da Unidade Linguística no Brasil
Desde a independência do Brasil os políticos se ocuparam em formatar no imaginário popular um certo mito de fundação do país, usando para isso recursos da simbologia e da ideologia. Dom Pedro II, por exemplo, criou um Instituto Arqueológico e promoveu expedições para mostrar a antiguidade da civilização em terras brasileiras, fomentando assim um desapego do novo país recém-independente em relação à matriz e a dependência colonial histórica. Marilena Chaui cita em “Brasil: Mito de origem e Sociedade Autoritária” algumas outras idéias trabalhadas, como a glorificação de uma natureza idílica e gentil e das riquezas que ela propicia, o que foi aproveitado na confecção do símbolo máximo da bandeira do brasil. Outro mito de fundação estaria do caráter do povo brasileiro, aberto a todos os povos e culturas do mundo, envolto numa espécie de “Bonomia Superior”, como diz Sérgio Buarque de Hollanda ao explicar o seu conceito de “homem cordial” brasileiro. Darcy Ribeiro também considera estes mitos ao dizer que o Brasil está assentado na mais bela província da Terra, e por isso foi muitas vezes considerado, literalmente, o paraíso bíblico na terra, o que Sérgio Buarque explora no seu clássico “Visões do Paraíso”. Ao explicar a origem do que chamou de “ninguénzada”, ou seja a população brasileira, Darcy aborda a grande miscigenação que possibilitou aos colonizadores fincar nova população em território descomunal: a melancolia portuguesa, a força e ginga dos africanos e a sede de liberdade inflexível das nações indígenas. Este mito é explorado na Bandeira do Estado de São Paulo, que é tricolor, com as três cores representando os três “sangues” principais da formação dos nosso povo: vermelho, preto e branco.
O mito da Unidade Linguística no Brasil pode ter origem no próprio processo de colonização, já que o território era disputado pelos portugueses com outras potências européias: França, Holanda e Espanha, principalmente. Após a Independência o Brasil conseguiu manter coeso o território político, ao contrário da fragmentação do Império na América Espanhola, que se dividiu em vários países. Isso foi mantido, por vezes, com a força das armas, como nos mostra a biografia de Duque de Caxias durante o Império Brasileiro: Balaiada no Maranhão, Guerra dos Farrapos etc.
É evidente que no Brasil não se fala apenas uma única língua (o português). No imenso território do “país-continente” podemos atestar isso através de inúmeros fatos, como a presença maciça de imigrantes em tempos relativamente recentes. Nesse sentido, clássico é o exemplo de pequenas comunidades semi-isoladas no interior de SC e RS, que orgulham-se de conservar certas tradições de seus países de origem, como a Alemanha e a Itália. Também, especialmente mais ao Norte, encontramos comunidades e nações indígenas que têm o direito garantindo de conservar como podem seu idioma e suas falas nativas.
Ainda hoje causa espanto para alguns a decisão do Governo Vargas, durante a II Guerra Mundial, de proibir que se falasse e ensinasse o alemão nas escolas de algumas destas cidades no interior de SC e RS. Isto nos leva a crer que a unidade linguística é promulgada politicamente, a partir de um centro de irradiação de poder. O nhengatu e a língua geral paulista, mistura de língua guarani com gramática portuguesa (jesuítica) era a mais falada no Brasil até o Marquês de Pombal impôr o uso do português somente no século XVIII. Na prática a unidade linguística via de regra sempre encontra vários contra-exemplos e exceções. Mesmo o português brasileiro não é único, embora haja liames recorrentes, como na ação da mídia ou da Rede Globo, que cumprem um papel planificador ao propalar em seu sinal um número reduzido de variantes linguísticas, adotando um padrão e ignorando ou estereotipando as diferenças e variações regionais. Estas são notáveis: no litoral fala-se diferente do interior e cada estado mantém um “sotaque” próprio. Adotar uma das variantes como padrão único é considerado pelos sociolinguístas como um legado autoritário e centralizador, ou, como diz Marcos Bagno “A língua padrão é a língua do patrão”.
Preconceito Linguistico - Isabela Moraes
Faço a crença pelo meu velório a reza
Que enterraram as palavras portuguesas
Sob um vú de vãs postiças palavresas
Foi criado nosso novo dicionário
Onde banca-se o papel de missionário
O próprio vocabulário de muletas
O próprio vocabulário
Livre dos livros os equívocos
As gargalhadas da gramática
O preconceito linguistico
Palavras marginalizadas
O preto o pobre e o racismo
O preconceito por nada
Sexo é assunto proibido
A não ser fora de casa
Desligue a tv vá ler um livro
O mito é a verdade inventada
Não crer no que vê é mais difícil
Que ler pra aprender coisas erradas
Proteja-se sempre do vício
De acreditar em tudo que se espalha
Existem milhares de artifícios
No vasto precipício se fala
No vasto precipício
É minha nossa voz
É nossa minha voz
É minha nossa voz
É nossa
Não permito que a gramática
estragada
Me atinja sem um mero objetivo
Não aceito sua questão analisada
Nem com mil razões que
justifiquem isso
Eu aqui é que não escreverei
mais nada
Pois quem manda antes em
um julgamento
É a forma de como o
pronunciamento
Absolverá a vítima palavra
Que enterraram as palavras portuguesas
Sob um vú de vãs postiças palavresas
Foi criado nosso novo dicionário
Onde banca-se o papel de missionário
O próprio vocabulário de muletas
O próprio vocabulário
Livre dos livros os equívocos
As gargalhadas da gramática
O preconceito linguistico
Palavras marginalizadas
O preto o pobre e o racismo
O preconceito por nada
Sexo é assunto proibido
A não ser fora de casa
Desligue a tv vá ler um livro
O mito é a verdade inventada
Não crer no que vê é mais difícil
Que ler pra aprender coisas erradas
Proteja-se sempre do vício
De acreditar em tudo que se espalha
Existem milhares de artifícios
No vasto precipício se fala
No vasto precipício
É minha nossa voz
É nossa minha voz
É minha nossa voz
É nossa
Não permito que a gramática
estragada
Me atinja sem um mero objetivo
Não aceito sua questão analisada
Nem com mil razões que
justifiquem isso
Eu aqui é que não escreverei
mais nada
Pois quem manda antes em
um julgamento
É a forma de como o
pronunciamento
Absolverá a vítima palavra
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